• Empatia Criativa

O que aprendi em 2020

Escrito por Gabriela Camargo (https://medium.com/@gabrielacamargo), baseado em depoimento de Mayara Soares (https://www.linkedin.com/in/mayarasoares-frontend/)



Janeiro é o mês das promessas e desejos. Quase todo mundo está fazendo suas listas, sonhando ou projetando alguma coisa para os próximos meses. Não sei dizer se comigo realmente é diferente, afinal eu também tenho meus sonhos. Mas o último ano foi tão desafiador que, no mínimo, fez com que eu aprendesse algumas coisas e chegasse um tanto mais madura que nos janeiros anteriores.


Sim, 2020 vai ficar marcado na memória. É o ano da pandemia, da solidão, do medo, do desemprego, e para muita gente, da perda de pessoas queridas. No meio disso tudo, quem trabalha com comunicação, uma área que já é conhecida por práticas abusivas, viu o laço apertar ainda mais.


Autoconhecimento e home office


Quem não foi demitido, teve o salário cortado ou perdeu benefícios, no mínimo sentiu a pressão para produzir mais. Se isso não aconteceu com você, pode ter acontecido com alguém perto de você e esse foi o momento em que aprendi a ser dona da minha vida.


Eu sempre gostei muito da minha própria companhia. Acontece que durante a pandemia a solidão deixou de ser uma opção e se tornou obrigação. Comecei a sentir falta da possibilidade de encontrar uma amiga e dar um abraço. Tive que me encarar, aceitar quem sou e todos os sentimentos que foram surgindo. Foi assustador fazer essa viagem de autoconhecimento, mas acredito que foi uma das coisas mais importantes que já fiz por mim.


Descobri que sim, às vezes tenho sentimentos ruins e tá tudo bem. A vida com isolamento social está difícil, tem dias em que o trabalho é desgastante e algumas pessoas fazem coisas desagradáveis de propósito. Acontece. Aprender a lidar com a própria companhia também é entender que nem sempre estamos de bom humor e que precisamos aprender a desacelerar. Nós, mulheres, temos esse mal costume de nos forçar demais.


Historicamente foi construída a ideia de que a mulher deve dar conta de várias tarefas ao mesmo tempo, e isso foi naturalizado de tal forma que a gente nem pode se dar ao luxo de reclamar. Impor limites é muito difícil. Falar não para o chefe, então…


Sei que falo de um lugar que de certa forma é privilegiado, pois sou solteira e não tenho filhos ou dependentes. Mas é fato: precisamos saber o quanto podemos suprir das demandas, nos perguntar qual o objetivo das nossas decisões. Por que sem um pouco de reflexão, muitas vezes não temos resultado de tanto esforço. Sobra apenas o cansaço.


Esse exercício de autoconhecimento não foi fofinho, muito pelo contrário. Mas hoje eu sei reconhecer meus próprios sinais de que alguma coisa está errada, aprendi a delegar e a não forçar a barra. Aprendi a conciliar o cérebro e o corpo, afinal é tudo um organismo só e o autoconhecimento ajuda a identificar o que não me cabe. Isso me lembra que cada um é cada um, e meus limites são só meus. Nós, que ousamos trabalhar com comunicação, entendemos que precisamos produzir sempre mais e para mim o mercado se mostra como uma linha de produção chantagista. Às vezes alguém fala: “Se você não fizer, te substituo por alguém que faça.” e às vezes a cobrança vem de dentro.


É comunicação que chama


Fazer terapia foi essencial para eu aprender a me impor, perder o medo de falar sobre o que está incomodando. E as coisas precisam ser faladas, não tem jeito. Com a terapia comecei a refletir se trabalhamos com comunicação, como não nos comunicamos bem uns com os outros? De que adianta isso?


Frases como “Isso não tá me agradando.", “Esse horário não dá”, “Não quero trabalhar com este cliente.” podem ser normalizadas. O mercado é feito por pessoas e elas precisam se mobilizar na vida real, afinal as reclamações não podem ficar restritas às planilhas anônimas. Ainda mais as mulheres, sempre sobrecarregadas de trabalho e raramente reconhecidas.


Agora em 2021 o aprendizado continua. Quero me rebelar mais e mostrar mais que tá tudo bem não aceitar as coisas como são. Todos podemos mudar, inclusive o mercado da comunicação.

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