• Empatia Criativa

Como a sororidade transformou minha vida

Texto por Alessandra Assumpção*. Para saber mais sobre o seu trabalho, acesse: www.madameconteudo.com.br ou @madameconteudo ou https://www.linkedin.com/in/alessandraassumpcaomkt




Para começar esse texto, eu fiquei pensando como compartilhar esse assunto que muitas vezes é tão confundido e olhado com extremismo do feminino. O poder das mulheres, a força, eu digo, foi algo que sempre esteve presente na minha vida, por mais que eu nunca soubesse disso.


Como tudo começou

Eu era e ainda sou uma pessoa que adora estudar, e sempre me esforcei para alcançar meus objetivos e realizar meus sonhos. Sempre fui uma das melhores da minha sala de aula, mesmo sendo parda (pai negro e mãe branca), tendo cabelo cacheado e ter sofrido muito bullying (que na época nem tinha esse nome).


Além disso, sofria invejas de meninas que buscavam ser melhores do que eu, e na realidade essa nunca foi minha intenção, mostrar que eu era melhor em algo, apenas fazia o meu melhor para chegar nos lugares que queria.


Mesmo sendo filha única, sempre fui muito comunicativa, e nunca fiquei muito sozinha. Tinha amigos para brincar, fazia amizades em escola nova, sempre juntava as turmas e gostava de estar em grupo, muitos deles com a maioria de homens e não de mulheres, ao meu redor para um papo mais sério.


Faculdade – momento de xeque-mate

Tinha a ideia convicta de fazer a faculdade de Jornalismo em uma Universidade Pública, tentei por três anos seguidos e desisti pensando se aquilo era realmente algo importante para mim. Antes disso, eu sempre estudei em Escola Pública, municipal e estadual, fiz cursinho com bolsas de 100% e estudava sempre mais para passar no vestibular.


Quando refleti e percebi que aquele não era meu sonho, fui para uma faculdade particular, e por ter tido uma nota muito alta em redação, em 4 meses eu estava com bolsa integral e não paguei mais o curso de jornalismo até minha formação.


Pronto, outro motivo para eu ser julgada, por assim dizer, ela saiu de casa, mudou de cidade, é bolsista e ainda tira notas boas. Ah, fui representante de sala durante quase 70% dos 4 anos de faculdade.


Carreira profissional

Contei tudo isso porque depois que me formei sempre atuei na área de redação e marketing, em agências que ou eu era a única mulher ou por ter tantas mulheres, algumas sempre estavam me olhando torto, tentando me rebaixar e falando mal de mim.


Quando comecei a entender mais sobre a união de mulheres, o empoderamento e o feminismo em si, essas causas que de alguma forma já estavam comigo, comecei a falar sobre elas sem medo de qualquer julgamento.


Expressando o que penso, passei a compartilhar e quando finalmente me desbravei criando minha empresa, ficou mais claro como eu queria que esses temas fossem assuntos falados por todos nós. Muito mais ainda pelas mulheres.


Reconhecimento

Hoje, outras mulheres, em sua maioria empreendedoras, me veem como uma feminista e uma referência de empoderamento de mulheres e também na causa de mulheres negras e nosso espaço no mercado de trabalho, que levo sempre para frente a sororidade, termo que explico por onde passo.


Sororidade - uma atividade importante

Por mais complicado que esse nome seja, essa palavra vem do latim soror, que significa irmã, ou seja, sororidade é irmandade. Que no fundo é muito mais do que isso.


Segundo grandes estudiosas, praticar a sororidade também é parar de sustentar ideias que incitam a rivalidade do gênero feminino. Sororidade é sobre empatia, solidariedade, companheirismo e respeito entre as mulheres. Defende a ideia de que juntas somos mais fortes e que precisamos umas das outras para buscarmos a liberdade e os direitos que reivindicamos. As alianças são importantes para que esses estigmas e preconceitos enraizados sejam enfraquecidos.


Afinal, para mudarmos algo, precisamos mudar a nós mesmas. Quantas vezes você já julgou uma nova funcionária na empresa apenas pela roupa que ela vestia, ou pela forma como falava?


Reflita sobre isso, vivemos em uma sociedade machista, em que nós precisamos ser boas em TUDO e ainda não podemos dar espaço para outra mulher crescer, senão ela tira o seu lugar. Mas será que quando uma abre uma porta já não irá ajudar outra a chegar no lugar que deseja?


Sempre penso que para eu ter minha empresa, já teve uma mulher antes, ou várias, que passaram pelos desafios e conquistaram seus espaços.


São questionamentos que podem e devem ser ampliados para outros segmentos, não apenas profissional. Quantas de nós, mães, se sentem um polvo e no final de um dia não conseguem nem pensar se já tomaram banho ou não. E outras que precisam de ajuda, sofrem assédio e são julgadas pela roupa que vestem.


Que liberdade de escolha nós temos, se a sociedade machista vai sempre jogar a culpa em nós?


Como praticar a sororidade?

Penso que podemos praticar diariamente, com alguns pontos importantes, pode ser em grupos que faz parte, com as mulheres à sua volta, com vizinhas e muitos outros lugares:

Compartilhar informações e ensinamentos umas com as outras, contribuindo para um crescimento mútuo;

Respeitar e tratar outras mulheres como gostaria de ser tratada, independente do contexto;

Criar um ambiente seguro para trocas de experiências e desabafos;

Encorajar e indicar oportunidades para outras mulheres;

Oferecer ajuda para mulheres que encontram-se sobrecarregadas;

Consumir e indicar trabalhos de outras mulheres.


Novos olhares

Eu hoje não me preocupo mais se tem mulheres me invejando ou de olho no que estou fazendo, vejo isso como uma admiração de que elas queriam estar no meu lugar, e que podem conseguir, desde que comecem a mudar seus conceitos e ir atrás dos seus sonhos.


Sororidade para mim é união, é nós nos apoiarmos, nos ajudarmos, nos darmos as mãos para que juntas possamos crescer. Juntas podemos ser mais fortes para enfrentar os desafios, podemos ir para lugares mais longe e ainda conseguirmos ter a certeza que o futuro, sim, é feminino.



___

Alessandra Assumpção é founder da Madame Conteúdo, uma empresa de produção de conteúdos, consultoria, mentoria e workshops de marketing de conteúdo, para criação de textos criativos, autênticos e persuasivos.

Apaixonada pelas palavras, é jornalista e copywriter que está em constante busca de inovação e da utilização das palavras que expressem a melhor comunicação de forma genuína e poderosa.


28 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo